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Laura |
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Laura durante esse tempo, continua metida em seus lençois e cobertores, coberta até a boca. Mas de olhos arregalados, numa escuta de morte, para adivinhar o que se passa em cima dela. Não há nada, apesar disso, para escutar, o silêncio da casa é pesado, absoluto, medonho. No fim do corredor o assassino, que havia subido tranquilamente pela escada metálica exterior... manobra sem fazer ruído a fechadura, que já estava lubrificada. Deixando a porta entreaberta, pronto para a fuga, uma vez praticado seu tríplice crime, o homem de luvas pretas avança a passos surdos pela laje de tijolo. Agora a maçaneta da porta move-se imperceptivelmente. A garota meio recostada na cama, fixa com os olhos esbugalhados o botão de cobre em frente dela. Vê a mancha brilhante da pequena lâmpada de cabeceira sobre o metal polido que volta com lentidão insuportável. Era como se ela sentisse agora em si as roupas em desordem inundas de sangue, e põe-se a berrar de terror... pp. 29 ...Eu deveria fazer um esforço para distrair mais minha pequena prisioneira, já que decidi (provisóriamente ?) guardá-la em casa, bem escondida, para subtraí-la das decisões supremas e protegê-la do mal... Eu poderia também lhe trazer bombons, fotonovelas eróticas, perfumes, jornais de moda, estórias em quadrinhos, cigarros de maconha, e talvez instalar um aparelho de televisão... pp. 59 ...Fico ameaçador talvez pelo braço, a amplitude do movimento, o soco de mão fechada na madeira, na obscuridade repentina, a imagem mal percebida horroriza a moça que solta um débil gemido. Ela escuta imediatamente, no tapete espesso que recobre o assoalho do quarto, os passos pesados que se aproximam de sua cama. Quer gritar mas uma mão quente e firme tapa-lhe a boca, enquanto ela experimenta uma sensação de um peso esmagador que se atira contra ela e logo a submerge toda inteira... Com a outra mão, o agressor amarrota sem qualquer consideração, a camisola para levantá-la, a fim de imobilizar completamente o corpo condescendente que procura agora se debater , defendendo a própria carne. Não consegue articular qualquer som. E é uma voz rouca, ameaçadora, que lhe murmura ao ouvido : “Quieta, idiotra, ou eu te machuco !” O homem é muito mais forte que essa frágil adolescente cuja resistência é inútil, divertida, irrisória... E imediatamente, com a mão livre, com a ajuda do joelho, afasta-lhe brutalmente as coxas, acariciando em seguida, com mais doçura, como quem doma um animal selvagem... Seu coração bate tão forte que ela tem impressão de que se ouve de alto a baixo da casa. Com um movimento, lento, insensível, ela mexe um pouco os ombros e as ancas, a fim de ajeitar-se melhor. Sem resistência à luta... pp. 8 |
...Uma vez mais a garota pensa que seu irmão a proibiu, sob pena de punição severa, de chegar às janelas que dão para a rua... De repente tomada de medo se volta e percebe, a um metro somente de seu rosto, o homem avançando para cima dela sem que ela o escutasse chegar, mas que de repente a domina com seu corpo imóvel e ameaçador. Num reflexo de criança apanhada em travessura, levanta o cotovelo com precipitação para proteger-se, se bem que ele não esboçou o menor gesto de violência a seus olhos, e, querendo ao mesmo tempo recuar para escapar às bofetadas, faz um falso movimento, perde o equilíbrio e cai ficando estendida de costas no chão, uma perna esticada, a outra dobrada, o busto erguido por um cotovelo, o braço sempre levantado numa atitude tradicional de medrosa defesa.
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